sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Conversas de Autocarro

(Não gente, não morri!)

Na semana passada ouvi uma conversa no autocarro que, embora não concordasse com ela, me deixou a pensar e cheguei a uma conclusão.

As senhoras estavam a falar acerca dos refugiados e diziam que não concordavam que eles viessem para cá porque eles tinham tudo e os sem-abrigo de cá não têm nada (só se lembram deles nestas conversas, porque se virem um, toca a fugir). Queixavam-se também de que nós, ao trabalharmos e darmos dinheiro à Segurança Social e ao Estado, é que sustentávamos os refugiados (neste caso, os que vinham/viessem para Portugal) e que eles não trabalhavam e não faziam nada e recebiam o nosso dinheiro.
Ora, o meu cérebro começou logo a funcionar e criou logo um ciclo «interminável e sem fim» (sim, ainda tenho a Maria Leal na cabeça).
Os refugiados, a maioria deles, eram pessoas com dinheiro, estudos e habilitações quando tinham uma vida estável. Eles vêm para cá e, ok, o Estado ajuda-os a arranjarem abrigo e também dá ajuda monetária nos primeiros tempos. Depois, se querem ter independência, tentarão procurar trabalho, cá. Os empregadores, sabendo que a pessoa que está a solicitar trabalho é síria (ou algo semelhante geograficamente) contratá-la-ão? Uma minoria poderá fazê-lo, mas a maioria não.
Assim sucessivamente, muitos deles poderão nunca encontrar algum emprego decente.

Já pensaram que somos nós que - ao fazermos o que descrevi - estamos a alimentar o preconceito e ideias incorretas?

2 comentários:

  1. As pessoas acham que dar dinheiro ao Estado está errado, mas querem tudo dado de mão beijada. Dar a mão é difícil, apontar o dedo é sempre bem mais fácil.
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Têm toda a liberdade para dizer as parvoíces que quiserem que têm sempre resposta :D